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Análise do lirismo de “You Seem Pretty Sad For A Girl So In Love", de Olivia Rodrigo.

  • Foto do escritor: petfacomufjf
    petfacomufjf
  • há 21 horas
  • 3 min de leitura

Em seu terceiro álbum, Olivia Rodrigo retrata a ascensão e a queda de um relacionamento amoroso entre duas pessoas jovens de uma forma extremamente íntima e confessional. Esse estilo de escrita mais pessoal já é assinatura na composição de Olivia, porém em “You Seem Pretty Sad For A Girl So In Love" tal lógica encontra o seu ápice, ao meu ver. 

O álbum é dividido entre duas partes e uma música de transição, a primeira parte marcando a época “dourada” do relacionamento e a segunda, a derrocada. Entretanto, o que mais me chama atenção nessa divisão, é que em nenhuma das partes do disco essa regra se aplica a 100% das canções. Pequenos momentos de dúvida e de melancolia são encontrados na parte "feliz", e momentos de amor e ternura na parte dita como triste. Isso, ao meu ver, demonstra uma das principais características da natureza humana: mesmo em momentos de felicidade, há um feixe de melancolia que corre perene em nós, e vice-versa. 

Destaco a música Maggots For Brains, faixa 4 do álbum, para ilustrar esse ponto. Na canção, Olivia descreve como ela se sente quando o seu amado está longe. Ela utiliza de termos e expressões que evocam a podridão e o apodrecer de algo, nesse caso, dela mesma. Ao se descrever como alguém que tem larvas no lugar do cérebro, e que entra em um estado de decomposição quando aquele que ela ama não está por perto, a compositora já aborda a temática principal do álbum: você pode estar se sentindo horrível mesmo estando apaixonada, ou dentro de um relacionamento feliz. Aqui, Olívia fala sobre algo muito comum em relações amorosas, que é o ato de se sentir perdido e incompleto quando se está afastado de quem ama. Para corações já familiarizados, sabe-se que se sentir incompleto sem a outra pessoa pode ser um dos sentimentos que diz que, talvez, um tenha abdicado demais de si, para caber no outro.

A faixa Purple é o que descrevi como faixa de transição. Apesar de tratar de um assunto não muito romântico, Maggots For Brains não fala diretamente de problemas do relacionamento em questão, e sim, de uma questão interna da persona do álbum, que, na minha opinião, anuncia um dos sintomas que causa o futuro término. Em Purple, vemos a cantora descrever como a junção de duas pessoas, uma representada pelo vermelho (o outro) e a outra pelo azul (a persona), tornou a vida roxa, feliz e lúdica. Porém, ao longo da música, nos é confessado que essa mistura, com o passar do tempo, foi se tornando preta e sombria, a ponto de ela não se reconhecer mais: "me derreti com você até tudo se tornar preto, quando nos aproximamos demais e não conseguimos mais reverter isso". 

A partir dessa faixa, vemos a persona do álbum confessar cada vez mais que ela estava, de fato, muito triste para uma garota tão apaixonada. 

O que mais gosto na segunda parte do disco é que ao invés de focar apenas no que estava supostamente errado no relacionamento, Olívia olha para si e se pergunta o que está de errado com ela (referência para a faixa What's Wrong With Me, com Robert Smith) e o porque ela estava tão melancólica em uma relação aparentemente boa. Mesmo quando somos machucados por alguém, existem uma série de questões internas que navegam o rompimento entre duas pessoas. Na sua essência, a obra nos lembra que às vezes, amar alguém não vai ser a cura (The Cure, faixa 8) dos conflitos que você tem consigo mesmo. No final da obra, a cantora pede para que o outro com quem se envolveu devolva o seu tempo gasto com ele e diz que em troca, ela devolve o coração dele. Afinal, nem tudo é sobre perdoar e esquecer. 

É incrível ver uma mulher tão jovem abordando essa temática de forma tão rica e cheia de camadas. O álbum “You Seem Pretty Sad For A Girl So In Love" é uma das jóias lançadas em 2026, e um grande passo na consolidação da carreira de Olivia Rodrigo. 


Por Luísa Gouvêa 


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